sábado, 20 de abril de 2013


PROFESSORES EM ASSEMBLEIA NA PAULISTA DECIDEM ENTRAR DE GREVE
Nesta sexta-feira, a partir das 14 horas, milhares de professores se reuniram embaixo do MASP, na Avenida Paulista, o coração financeiro de São Paulo e em votação unânime decretaram greve. O calendário apresentado pela categoria é o seguinte:
• Segunda-feira: conversar com os professores e alunos para conscientização.
• Terça-feira: conversar com os pais, informando sobre a greve e a necessidade da mesma, e os por quês.

Duas horas antes eu já estava na Paulista. A pista estava vazia, e o MASP não tinha ninguém, exceto um grupo de alunos que foram visitar o museu.
 
 
Mas, algumas horas depois...
A PAULISTA E O MASP FICARAM ASSIM DEPOIS DE ALGUAMS HORAS...

  
 

Eramos cinco mil professores!

 

 

MAS AINDA MUITOS NÃO SE MOBILIZARAM

Estão esperando ficar assio, óh..!

 

Os professores paulistas entram em greve por quê?


1.   Reposição salarial de 36,74% e complementação do reajuste refe­rente a 2012;
2.   Pelo cumprimento da lei do piso: no mínimo 33% da jornada de tra­balho para atividades de formação e preparação de aulas;
3.   Dignidade na contratação, condi­ções de trabalho e atendimento no IAMSPE para os professores da categoria O;
4.   Fim da remoção ex-officio e da de­signação de professores das Escolas de Tempo Integral;
5.   Regime de dedicação exclusiva para todos, por opção de cada professor(a);
6.   Melhores condições de trabalho e políticas de prevenção do adoeci­mento dos professores;
7.   Fim da lei das faltas médicas;
8.   Fim dos descontos de faltas e licen­ças médicas para efeito de aposen­tadoria especial;
9.   Fim das provinhas e avaliações ex­cludentes;
10. Por um plano de carreira que atenda às necessidades do magistério.
11. Não à privatização do Hospital do Servidor Público Estadual e do IAMSPE.

 

A GREVE É NOSSA. A CULPA É SUA, SENHOR GOVERNADOR!

Iniciamos a passeata na Avenida Paulista e fomos até a Praça da República. Os professores se concentraram em frente a cede da Secretaria de Educação com palavras de ordem e grito de pprotestos.

Vários jornais, e até a Rede Globo, tiveram que se curvar à grande manifestação. Veja um trecho de jornal:
 “A luta por reajuste salarial, contra a precarização do trabalho, contra priva­tização do HSPE e outros setores do IAMSPE, por melhores condições de trabalho e outras reivindicações unificam os interesses de todo o funcionalismo estadual. Por isto, a APEOESP, por meio do Fórum do Funcionalismo da CUT/SP, está se articulando com outras entidades de servidores estaduais. Também já ini­ciou articulação com as demais entidades da educação para exigir do Governo que realize negociações. Conforme decisão da assembleia, a APEOESP proporá um ato unificado de todo o funcionalismo no dia 19 de abril. Os servidores da saúde já decidiram pela greve a partir de 1º de abril. Outras categorias poderão entrar em greve”.
 
HÁ QUANTO TEMPO A EDUCAÇÃO ESTÁ PADECENDO?
Há muito tempo estamos sob a ditadura do PSDB? Observe o quadro abaixo e irá ver que estamos nas mãos dessa ditadura por duas décadas, ou seja, 20 anos.
 
 
 
O CAOS DA EDUCAÇÂO: Todos contra o empobrecimento do currículo!
 
Quando Serra governou São Paulo e na área da educação foi o pior governo que já enfrentamos. Gastou dinheiro público com remessas de livros com cenas impróprias para os adolescentes, livros com figuras de mulheres seminuas e palavras obsenas, tendo que recolhê-los por conta das denúncias. Gastou dinheiro para publicar apostilas que ele e seu secretário de educação chamaram de "CURRÍCULO", porém, de péssima qualidade. Além de substituir os LIVROS, as apostilas apresentaram vários problemas, desde erros ortográficos a coisas bisarras. A apostila de Inglês trazia a palavra ENSINO com "C" repetidas vezes. A apostila de GEOGRAFIA trazia três vezes o PARAGUAI e exclia a Bolívia do mapa. A Bolívia foi tirada do mapa das apostilas de Geografia de Serra e de seu secretário na época. Assim que peguei a apostila de HISTÓRIA vi que no 3º ano do ensino médio havia o título equivocado NEOCLACISSISMO no lugar de Neocolonialismo. Bom, acostumado a debater tanto essa maldita forma de dominação que os tucanos adoram, visto que no governo de FHC a política econômica foi totalmente ABERTA aos produtos e capitais importados de fora redundando em desvalorização daquilo que é nacional, logo informei aos colegas que não poderia ser Neoclassicismo, mas Neocolonialismo que deveria estar escrito ali. Até disse na época: uai, professor de História também agora terá que ensinar Literatura aos alunos, porque, Neoclassicismo é da ária de Língua Portuguesa e não de História!
Serra estava mal
informado. Mal assessorado na educação, bom, o forte dele não é as matérias de humanidades, mas de exatas. Ele estudou para ser engenheiro. Bom, mas para um partido que substitui um médico por um engenheiro, errar em coisas básicas como a educação não parece muito grave, não é? Serra substituiu o médico formado Adib Jatene que tinha um plano ousado para conter a epidemia de dengue no Brasil, mas FHC achou inviável por conta dos gastos, e substituiu o médico pelo engenheiro. Mesmo como engenheiro, a qualidade de Serra deve ser ruim, pois em seu governo vários incidentes envolvendo quedas de viadutos foram noticiados na televisão, viadutos desabavam encima de veículos que trafegavam. Quem não se lembra?

Esse é apenas um pouco do histórico de um governador desastroso. Tem o incidente de Paulo Preto, responsável pelas obras superfaturadas dos rodoaneis. Esse cara sumiu com 200 milhões e ninguém foi punido, nem ele nem Serra. Nesse governo a máfia dos pedágios ficaram muito felizes com as praças de pedágios que foram criadas. O pedágio de Osasco começou com 1:30 e agora está em 3 reais e 30 centavos. A cada 30 quilômetros um pedágio!
Serra e suas leis educacionais perversas. Em 2010 os professores foram ocupar a Paulista, fizeram greve contra a PLC 1093, que dividia em diversas categorias os professores, eliminava direitos adquiridos e instituía provas a todos os novos concursados e os professores das outras categorias. Efetivo que não passasse numa prova após o curso não assumiria o cargo, e as outras categorias que não passassem na prova ao final do ano, ficariam fora da sala de aula. Os professores "reprovados" ficariam hibernando por 200 dias, só podendo concorrer novamente ano seguinte. Por tudo isso, fomos à greve!

Não sabemos o que vamos fazer, nem que rumo tomar. A violência que começa com o trato oferecido aos professores pelos governos tucanos continua em salas de aulas lotadas, falta de estrutura decente nas escolas e um ensino apostilado precário. A violência e a indisciplina estão tomando conta do espaço escolar, os governos irresponsáveis não entendem o sentido genuíno da palavra GESTÃO, e muito menos os diretores que precisam substituir o termo “especialista de educação” formados em Pedagogia pelo conceito de “gestores”, essas pessoas não aprenderam em seus cursos de pedagogia um princípio muito importante: o de preservar a cultura interna da escola ou instituição não permitindo que “culturas de fora” influencie e mude a cultura interna. Aprendi num curso de pós-graduação, que os gestores devem criar um clima ambiental agradável para todos, atrair os “líderes negativos” para o lado bom permitindo que se entrosem sem se sentir intrusos, trabalhando o sentido de “pertencer” ao grupo, mas não é isto que acontece nas escolas: a “cultura de fora” adentrou os muros da escola e trouxe consigo a violência, a droga e os desacatos. Assim a escola deixa de ser um espaço para formação cultural e torna-se um coliseu de lutas e gladiadores. A situação é tão caótica que ninguém mais está aguentando. Professores novos desistem do cargo e os velhos se afastam por problemas psicológicos. Professor hoje é...

Profissão de risco
 
 
 
 


Não há segurança nem proteção alguma para garantir a vida do professor que fica frente a frente com delinquentes encaminhados pelo juizado às escolas em nome de uma falsa inclusão. São pequenos delinquentes assistidos pelos Conselhos Tutelares e amparados pelo ECA, e ninguém pode repreendê-los se quiser sobrever depois.

O governo de Geraldo Alckmin continua com sua fala mansa, porém esse tucano, ao perceber a perda de espaço político com a derrota de Serra em São Paulo e com a vitória de um candidato sem muita expressão política na prefeitura Fernando Haddad do PT, agora começa com aquele discurso moralista de REDUÇÃO DA IODADE PENAL PARA MENOR sendo que eles mesmos contribuíram para que a delinquência juvenil se alastrasse no estado mais rico da América Latina. Eles fecharam os olhos à violência nas escolas, fecharam escolas e construíram cadeias, disseram que educação é GASTO e não investimento, sucatearam o ensino, e vem gerando grande descontentamento profissional nos professores ao ponto de levar muitos a desistir da profissão. Se perguntar hoje dentro de uma classe que aluno ou aluna quer seguir à carreira do magistério, ninguém ousa dizer que este é um dos seus sonhos. Todos só querem escolas técnicas, SENAI, e muitos nem em universidade pensam, tal é a desvalorização intelectual. Fazer um SENAI ou um cursinho técnico por ai parece ser o sonho da maioria. Mas por que está acontecendo com essa geração? Sem perspectivas, abandonar a carreira de um curso superior parece ser a melhor saída, mas o problema é que ninguém percebe que a carreira universitária está se fechando para milhões de filhos de trabalhadores. A única esperança para muitos são as cotas e o ENEM, a Pró-uni, caso contrário, melhor mesmo fazer curso técnico para garantir o emprego. Ser mão de obra barata tornou-se mais lucrativo do que seguir uma carreira mais arrojada. É um contracenso, enquanto a política federal prega a universalização do ensino superior, em São Paulo o discurso do governo é de criar mais SENAIs e escolas técnicas. As FATECs e as ETECs são a menina dos olhos do PSDB em São Paulo. Esse discurso empobrecedor e barateador da mão de obra, feito pelos tucanos, rebaixa os trabalhadores e seus filhos, essa falácia tecnicista recai no inconsciente coletivo gerando um conformismo, e as pessoas entram nesse discurso medieval de que “filho de sapateiro, sapateiro será”, “filho de peixinho, peixinho é” e “uma vez servos, servo para sempre”, assim acabamos repetindo a velha ordem que imperava na França medieval, e criamos uma sociedade estamental de nobres, senhores, servos e um clero que manipula. Para ilustrar que tipo de sociedade estamos construindo, poderia dizer, que estamos caminhando rumo à Índia da época de Gandhi: uma sociedade de castas!

O discurso tecnicista cria a ilusão da falsa ascensão social, por isso, entra na mente dos paulistanos, “faz a cabeça” dos alunos e até de professores desestimulados, e estes, acabam reproduzindo o mesmo discurso ideológico do governo neoliberal. Perdidos nesse marasmo confuso e difuso e nesse contexto neoliberal o governo sucateia as escolas públicas e os profissionais "perdidos" entre os discursos acabam mesmo pensando que a saída é "dar qualquer coisa" em sala de aula, e quem quiser aprende, os demais que se danem. A “vida cuida”, dizem. Estamos vivenciando o mito da “Raposa e as uvas”. Conta a mitologia grega, que a raposa, querendo saborear algumas uvas, parou debaixo de uma parreira, e vendo no alto as uvas, pulava para tentar alcançá-las. Mas os cachos bonitos e viçosos estavam muito altos, longe de seu alcance. O que faz então a raposa?
A pobre raposa pulou o dia todo, sem sucesso. E quando se cansou disse: "Ah, estão verdes mesmo"! Qual a moral da história? Não verdade, que as uvas estavam verdes. A verdade, é que a raposa, havia se cansado de pular, e por isso parou, desistiu.

O discurso de que "as uvas estão verdes" se repete não mais em professores velhos, mas também nos novos. Estou cansado de ouvir na sala dos professores pessoas inteligentes com esse discurso: "Hoje dou qualquer coisa na sala, os alunos não vão conseguir muito mesmo".

Outro discurso muito comum tem sido: "Ah, na vida é assim mesmo, os que querem vão conseguir, outros não vão conseguir ir muito além mesmo. Na sala de aula é a mesma coisa, quem quiser irá para frente com notas boas, e quem fizer qualquer coisa, mesmo errado, vale uma média cinco rasa”, pensam. Semana passada na sala dos professores ouvi: "Desde que não atrapalhem a minha aula, já conscientizei os alunos que quem fizer as atividades, mesmo com todas as deficiências, terá “um cinco” como média. Ninguém vai ficar com nota vermelha. Claro, quem tem o mérito de tirar notas mais altas teão suas notas elevas, mas há aqueles que pelo próprio mérito poderão tirar 7, 8, 9 e até dez de média, mas deixei bem claro que é pelo próprio mérito deles". O curioso é que a pessoa completou: "Bom, o aluno passa por todas as séries, empurrado, por conta da progressão continuada, para depois repetir na 8ª ou na 3ª série, final do ciclo II, claro. Para muitos, deixar esse aluno repetir é bobeira". O duro é que o professor tem suas razões. Porque essa política de não reprovar o aluno nas séries intermediárias criadas pelo governo tucano é a pior das idiotices.

O discurso facilitador entrou na educação paulista, e com isso, a ideia de que “qualquer coisa vale” nivelou o ensino por baixo. A escola “democratizou-se” e facilitou a entrada de qualquer um, inclusive alunos com problema na justiça. Mas e os professores, que segurança tem? E os outros alunos que nunca se envolveram com crimes e drogas, e os que querem conseguir realizar seus sonhos a partir de uma escola decente? Muitas mães, se pudessem, tiravam seus filhos de determinadas escolas por conta dessas situações criadas pela “política de portas abertas” do governo tucano, mas sem saída, seus filhos continuarão expostos. Hoje ouvi o seguinte depoimento na casa de um cunhado meu: “Meu filho viveu a seguinte situação: um garoto maior que ele pegou umas cascas de bananas que outros colegas tinham comido na hora da merenda obrigou o meu filho a jogar aquelas cascas no lixo, sob ameaças. Meu filho, intimidado, foi, e jogou as cascas no lixo. Isso é uma humilhação, e é buling”. Eu logo disse: é verdade, e a gestão escolar precisaria tomar uma medida coercitiva nessa escola, porém, logo me lembrei de outras escolas onde trabalho, então eu disse a ele, que nós os professores, vivenciamos essa violência todos os dias nas escolas, e a impunidade se repete em todas. Ninguém toma uma providência mais séria, às vezes as reclamações nem são registradas pelos gestores ou responsáveis, tudo acaba em pizzas como no Congresso e a culpa recai nas costas dos professores. Acuados, se tornaram vítimas diretas dessa violência escolar. Pessoas de alta periculosidade estão à nossa frente todos os dias, em sala de aula estamos teti-a-teti com o perigo, porém, não se sabe o quê e quem iremos enfrentar, no momento em que chamarmos a atenção de um aluno ou aluna indisciplinados, já temos que ficar preparados, não sabemos que tipo de reação ele ou ela terá, e chamar a mãe para conversar também se tornou uma incógnita. Tem mãe ou pai que é pior que o aluno. Podemos chamar uma mãe e ela mesma agredir o professor ou outros alunos, e no lugar de apagar o fogo podemos estar jogando ainda mais combustível na fogueira, no final todos acabam numa delegacia. A delegacia, o Boletim de Ocorrências tornou-se a última instância a se recorrer. Depois que se espancou e até matou que se chama a polícia, tudo isso porque existem os especialistas que estão distantes desses problemas defendendo a tese de que aluno não é caso de polícia. Mesmo os que estão em liberdade assistida? Mesmo quem já tem algum crime nas costas e voltou para a escola por ordem de quem está nos gabinetes longe do perigo?

Professoras estão morrendo, sendo assassinadas em salas de aulas, vítimas de retaliações de delinquentes que em algum momento sentiu-se contrariados em sala de aula. Alunos disputam territórios, peitam professores e os desafiam para mostrar quem pode mais. E o professor?

Este, nada pode...
Viva a delinquência juvenil
Vamos celebrar a impunidade
Vamos celebrar o vandalismo e as depredações de patrimônio público
Vamos celebrar os desacatos e o desrespeito aos nossos mestres
Vamos celebrar a violência
Estendam tapetes vermelhos para receber aqueles que matam e espancam
Vamos oferecer nossos espaços aos “porcos”, alimentemo-los com pérolas
Desperdicemos nossas preciosas palavras, como João que gritava no deserto
Arrependam-se pecadores, que é chegado o reino
Que reino? Retrucam: porque o nosso é o da bagunça e o da patifaria!
Quem deu crédito à nossa pregação! Exclamaria Isaias...
É como disse no Apocalipse: “Quem está sujo, suje-se mais...”.
É assim que muitos preferem...
Então qual será a atitude dos que ainda se encontram limpos?
Recuar seria o melhor caminho?
Seria a melhor atitude celebrar a sujeira? Não creio...
Seria a melhor atitude fechar os olhos à violência?
A tecnologia avança, o meu celular é de última geração
Sou inteligentíssimo, pois consigo apertar um botão e acionar o blutoof
“Dá pra passar aquele vídeo para mim fazer uma média com as minas
Ops, a concordância verbal está horrível, disse a professora
Para mim, para eu, num importa, porque aqui é nóis na fita”
Ops, não é mais “fita” mano, agora é DVD, pendrive, cartão de memória etc.
Professora, posso pegar o meu tablet: “Não, agora é hora de pegar o livro”!
A senhora está atrasada professora, que livro? A moda agora é tablet, Ipod...
Professora, posso puxar o trabalho da internet? “Não, quero um resumo manuscrito...”, responde a professora.
Precisa fazer conclusão?
O que é bibliografia, professora?
É como diz uma música sertaneja: “a coisa tá feia, a coisa tá preta...”.
Professor já nem mais consegue sorrir: faz careta!
Paulo Freire tinha razão quando parafraseou Ruben Alves: “Ninguém ensina ninguém...”, só faltou complementar: “quando não se quer aprender”!
Só aprende quem quer, só ensina quem pode
Professor hoje não pode nada, então como poderá este ensinar se lhe tiraram o poder?
Como pode ensinar, se lhe roubaram os direitos?
Como podem gritar se lhes silenciam e lhes amordaçam as leis?
Como falar, se os gestores e governos não querem ouvir?
Não há debates, há burocratas que limitam as falas nas escolas e diretorias
Não há prazer no ambiente escolar, apenas indisciplina
Não há hospitalidade nem para professores e nem para os alunos
Instalaram câmaras nos corredores, mas quem está sendo vigiado é o professor
A escola é hoje um BigBrother, um realit, mas o show é dos alunos
Vamos celebrar a impunidade...
Celebremos a mentira da inclusão e a falsidade da democracia
Vamos celebrar a alienação daqueles que desistiram e não vão mais à luta
Vamos celebrar a omissão e a covardia dos que sofrem e se calam
Bem-aventurados são aqueles que ainda não perderam o poder da indignação
Felizes os que acreditaram e lutaram, porque poderão dizer se o barco afundar...
“Eu lutei...
Eu estava lá.
Poucos poderão dizer um dia: Eu caminhei pela Avenida Paulista!
Cruzei a Consolação e gritei frente à Secretaria de Educação!
Enquanto muitos se arrependerão no futuro por não terem lutado, outros dirão:
- “Eu estava lá!”.
Muitos se calarão nessa hora envergonhados, por não terem o que dizer...
Não se envergonham aqueles que lutam, mas aqueles que se acomodam perante o vitupério, estes sim, terão com que se envergonhar.
Envergonhados serão aqueles que negam a luta
Postergam a felicidade e abrem mão de um prato de comida em detrimento do celeiro
Melhor deixar de comer um pão hoje que perder a padaria inteira amanhã
Lembrem-se os mais velhos: professor só sabe dar aulas, mas escola não é bico para quem ama a profissão.
Escola só é bico para quem não precisa de salário para sobreviver, para quem tem outra fonte de renda a escola é bico.
Escola é bico para quem não luta, por isso o discurso é o de que a educação vai acabar
É mais fácil pensar como no mito grego da Raposa e as uvas...
Ah, estão verdes mesmo!
Vamos celebrar a covardia...
Não há segurança nem proteção alguma para garantir a vida do professor que fica frente a frente com delinquentes encaminhados pelo juizado às escolas em nome de uma falsa inclusão. São pequenos delinquentes assistidos pelos Conselhos Tutelares e amparados pelo ECA, e ninguém pode repreendê-los se quiser sobrever depois.

 

“Educação é a primeira necessidade do homem depois do pão”

 
Mas nos governos tucanos isso não é verdade. O governo de Geraldo Alckmin continua com sua fala mansa, porém esse tucano, ao perceber a perda de espaço político com a derrota de Serra em São Paulo e com a vitória de um candidato sem muita expressão política na prefeitura  Fernando Haddad do PT, agora começa com aquele discurso moralista de REDUÇÃO DA IDADE PENAL PARA O MENOR, sendo que esses mesmos governos contribuiram para que a delinquência juvenil se alastrasse pelo estado mais rico da América Latina.  E como fizeram isso? Eles fecharam os olhos à violência nas escolas; eles fecharam escolas e construiram cadeias. Victor Hugo dizia  “Constrói-se uma escola, fecha-se uma cadeia”, isso foi dito no século XIX, e esse famoso escritor francês deve hoje revirar-se no túmulo se soubesse o que os tucanos fazem com a educação.   Victor Hugo ficaria muito triste com essa visão tucana de que educação é GASTO, e não investimento, é por isso que esses governos covardes sucatearam o ensino, eles vêm gerando grande descontentamento profissional nos professores, ao ponto de levar muitos a desistir da profissão. Se perguntar hoje dentro de uma classe, que aluno ou aluna gostaria seguir à carreira do magistério, ninguém ousaria dizer: este é um dos meus sonhos! Quando pergunto aos alunos e alunas, todos, com raras excessões, só querem escolas técnicas e senai, muitos nem pensam em universidade, tal é a desvalorização intelectual. Fazer um senai ou um cursinho técnico por ai parece-lhes ser o sonho mais possível. Mas po que, está acontecendo isso com essa geração? As elites continuarão no tôpo da pirâmide:


Para muitos alunos sem perspectivas, abandonar a carreira de um curso superior parece ser a melhor saida, mas o problema é que ninguém percebe que a carreira universitária está se fechando para milhões de filhos de trabalhadores. Inconscientemente estão fortalecendo os que estão no tôpo da pirâmide. A única esperança para muitos são as cotas e o ENEM, a Pró-uni, caso contrário, melhor mesmo fazer curso técnico para garantir o emprego. Ser mão de obra barata tornou-se mais lucrativo do que seguir uma carreira mais arrojada. É um contracenso, enquanto a política federal prega a universalização do ensino superior, em São Paulo o discurso do governo é de criar mais senais, escolas técnicas. Fatecs e Etecs são a menina dos olhos do PSDB em São Paulo. Um discurso empobrecedor e barateador da maõ de obra recai no inconsciente coletivo e entra na mente dos paulistanos, faz a cabeça dos alunos e até de professores desestimulados, perditos nesse marasmo confuso e difuso do contexto neoliberal que sucateia as escolas públicas os profissionais "perdidos" entre esses discursos ideológicos feito pelos tucanos já estão mesmo pensando que a saida é "dar qualquer coisa" em sala de aula. Estamos vivenciando o mito da Raposa e as uvas.
 
Na mitologia grega há um conto que diz o seguinte. A raposa querendo saborear algumas uvas, parou debaicho de uma parreira, e vendo no alto as uvas, pulava para tentar alcançá-las. Mas os caichos bonitos e viçosos estavam muito altos, longe do seu alcance, a raposa pulou o dia todo sem sucesso. Quando a raposa se cansou disse: "Ah, estão verdes mesmo". Não é que as uvas estavam verdes, mas é que a raposa havia se cansado de pular.
 
O discurso de que "as uvas estão verdes" se repete, não mais em professores velhos, mas também nos novos. Já ouvimos na sala dos professores pessoas inteligentes com esse discurso: "Hoje dou qualquer coisa na sala, os alunos não vão conseguir muito m,esmo". Tenho ouvido esse discurso assim: "na vida é assim, os que querem vão conseguir. Na sala de aula é a mesma coisa, quem quiser irá para frente com notas boas, e quem fizer qualquer coisa, mesmo errado, vale um  cinquinho raso. Alguém disse semana passada na sala dos professores: "Desde que não atrapalhem minha aula, se o aluno fizer as atividades, mesmo com todas as deficiências terão nota 5. Ninguém vai ficar com nota vermelha. Claro, quem tem o mérito de tirar notas mais altas teão suas notas elevas, pelo próprio mérito". Curioso é que a pessoa completou: "Bom, o aluno passa por todas as séries empurrado por conta dea progressão continuada para repetir na 8ª ou na 3ª série, final do cíclo II, claro que deixar esse aluno repetir é bobeira". O duro é que o professor tem suas razões, porque, essa política de não breprovar o aluno nas séries intermediárias criada pelo governo tucano é a pior idiotisse. O discurso facilitador entrou na educação paulista. Com isso, facilitou-se a entrada de qualquer um também, mesmo os com problema na justiça, pessoas de alta periculosidade estão à nossa frente dia a dia em uma sala de aula, porém, não se sabe quem e o que iremos enfrentar no momento que chamarmos a atenção de um aluno ou aluna indisciplinados, não sabemos que tipo de mãe iremos chamar para conversar. Podemos chamar uma mãe e ela mesma agredir o professor e outros alunos. Professores estão morrendo, sendo assassinados em salas de aulas, vítimas de retaliações de delinquentes que em algum momento sentiu-se contrariados em sala de aula. Alunos disputam territórios, peitam professores e os desafiam para mostrar quem pode mais.


 
 
E AI PROFESSOR VAI FAZER IGUAL A HISTÓRIA DA RAPOSA E AS UVAS? VAI DESISTIR DE LUTAR ENQUANTO OUTROS COLEGAS SÃO ESPANCADOS E MORTOS?
 
 
 

OUTRAS FOTOS DA MANIFESTAÇÃO

 
 
A HORA DA DECISÃO
 
 
 
A GRANDE MARCHA PELA PAULISTA
 
 
 
 

 

 
 
 
 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

DITADURA NO BRASIL: do Golpe a Eleição de Tancredo Neves

O GOLPE


Em 1961, Jânio Quadros eleito pelo povo e apoiado pelas elites conservadoras do país teve em seu governo algumas atitudes que deixaram setores que o apoiaram com os cabelos em pé. Jânio havia viajado para a Rússia comunista visando reatar laços diplomáticos com os países comunistas, como não bastasse, fez uma homenagem e colocou no peito do líder revolucionário Che Guevara a medalha de Honra ao Mérito. Isso mexeu com os neurônios corrompidos pelo lucro dos donos das multinacionais, os latifundiários, a alta burguesia e da classe média alta, que juntos com a Igreja Católica, pressionam o Exército e os militares começam a se preparar para o golpe. A pressão era muito forte, e Jânio, pensando que o povo o iria aclamar e chamá-lo de volta ao poder, o que o tornaria absolutista, acabou renunciando, e caiu do cavalo. O povo não o chamou de volta! O vice João Goulart pela Constituição deveria assumir o governo, porém estava em visita diplomática à China comunista. Mais um motivo de apreensão para as elites e militares. Pois bem, quando João Goulart (apelidado carinhosamente pelo povo de Jango) chegou ao país não pode assumir. Os militares primeiro permitiram que Jango assumisse, mas na forma parlamentarista. Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul entendeu o parlamentarismo imposto pelos militares como um “golpe branco”, e iniciou uma cmapanha pela legalidade que exigia o empossamento imediato de Jango com poderes presidenciais. Mas em 4 de abril, Jango se exilou no Uruguai alegando que não queria derramamento de sangue, assim, o presidente do Senado, Auro de Moura, declarou vago o cargo de presidente que foi provisoriamente ocupado pelo presidente da Câmara Ranieri Mazilli. Logo a seguir, os três comandantes militares Arthur Costa e Silva, do Exército, Correia Melo, da Aeronáutica, e Augusto Rademaker, da Marinha formaram uma junta militar e assumiram o comando do país, e logo baixou o AI-1 (Ato institucional numero 1) estabelecendo as eleições indiretas (feita pelo Congresso) e autorizando o presidente a cassar mandatos e a suspender direitos políticos por dez anos. Foi assim que Castelo Branco, marechal do Exército foi eleito e se tornou o primeiro presidente militar do Brasil.


Os Governos Militares

1. O Humberto de Alencar Castello Branco: esteve à frente do primeiro governo militar de 1964 a 1967, e deu início à promulgação dos Atos Institucionais. Entre as medidas mais importantes, destacam-se: suspensão dos direitos políticos dos cidadãos; cassação de mandatos parlamentares; eleições indiretas para governadores; dissolução de todos os partidos políticos e criação de duas novas agremiações políticas: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que reuniu os governistas, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que reuniu as oposições consentidas.



2. O marechal Arthur da Costa e Silva: ficou no comando de março de 1967 a agosto de 1969. Nesse período enfrentou a reorganização política dos setores oposicionistas, greves e a eclosão de movimentos sociais de protesto, entre eles o movimento estudantil universitário. Também neste período os grupos e organizações políticas de esquerda organizaram guerrilhas urbanas e passaram a enfrentar a ditadura, empunhando armas, realizando sequestros e atos terroristas. O governo, então, radicalizou as medidas repressivas, com a justificativa de enfrentar os movimentos de oposição. A promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, representou o fechamento completo do sistema político e a implantação da ditadura. O AI-5 restringiu drasticamente a cidadania, pois dotou o governo de prerrogativas legais que permitiram a ampliação da repressão policial militar.

3. General Emílio Garrastazu Médici, governou de novembro de 1969 a a março de 1974, e nesse período, dispôs de um amplo aparato de repressão policial militar e de inúmeras leis de exceção, sendo que a mais rigorosa era o AI-5. Por esse motivo, seu mandato presidencial ficou marcado como o mais repressivo do período da ditadura. Exílios, prisões, torturas e desaparecimentos de cidadãos fizeram parte do cotidiano de violência repressiva imposta à sociedade. Siglas como Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e Doi-Codi (Destacamento de Operações e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna) ficaram conhecidas pela brutal repressão policial militar. Com a censura, todas as formas de manifestações artísticas e culturais sofreram restrições. No final do governo Médici, as organizações de luta armada foram dizimadas. Na área econômica, o governo colheu os frutos do chamado "milagre econômico", que representou a fase áurea de desenvolvimento do país, obtido por meio da captação de enormes recursos e de financiamentos externos. Todos esses recursos foram investidos em infra estrutura: estradas, portos, hidrelétricas, rodovias e ferrovias expandiram-se e serviram como base de sustentação do vigoroso crescimento econômico. O PIB (Produto Interno Bruto) chegou a crescer 12% ao ano e milhões de empregos foram gerados.

4. General Ernesto Geisel, esteve no governo de março de 1974 a março de 1979, e seu mandato coincidiu com o fim do milagre econômico. O aumento vertiginoso dos preços do petróleo, principal fonte energética do país, a recessão da economia mundial e a escassez de investimentos estrangeiros interferiram negativamente na economia interna. Na área política, Geisel previu dificuldades crescentes e custos políticos altíssimos para a corporação militar e para o país, caso os militares permanecessem no poder indefinidamente. Ademais, o MDB conseguiu expressiva vitória nas eleições gerais de novembro de 1974, conquistando 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e as prefeituras da maioria das grandes cidades. Por essa razão, o presidente iniciou o processo de distensão lenta e gradual em direção à abertura e à redemocratização.

5. João Baptista de Oliveira Figueiredo ogovernou de março de 1979 a março de 1985. Foi o último general presidente, encerrando o período da ditadura militar, que durou mais de duas décadas. Figueiredo acelerou o processo de liberalização política e o grande marco foi a aprovação da Lei de Anistia, que permitiu o retorno ao país de milhares de exilados políticos e concedeu perdão para aqueles que cometeram crimes políticos. A anistia foi mútua, ou seja, a lei também livrou da justiça os militares envolvidos em ações repressivas que provocaram torturas, mortes e o desaparecimento de cidadãos. O pluripartidarismo foi restabelecido. A Arena muda a sua denominação e passa a ser PDS; o MDB passa a ser PMDB. Surgem outros partidos, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).


O PERÍODO DA CENSURA APÓS O GOLPE DE 64 NO BRASIL

A bem da verdade, em todo o período da ditadura a censura esteve presente. Considerando que o termo está muito ligado ao sentido de cercear a liberdade, vemos que isso está acontecendo em todo o período da ditadura, desde o golpe dado da noite para o dia de 31 de março a 1º de abril (Dia da mentira), todas as liberdades existentes no Brasil já não eram mais uma realidade para os cidadãos brasileiros. A ditadura militar foi um período obscuro, triste que marcou a nossa história, manchou maculou a biografia do nosso país. O período foi marcado pelo despotismo, veto aos direitos estabelecidos pela Constituição Federal, opressão policial e militar, encarceramentos e suplício dos oponentes ao regime. A censura aos canais de informação e à produção cultural, a editoração de livros, a produção cinematográfica e tudo que fosse referente a televisão, foi intensa. Tudo era acompanhado muito de perto pelos censores do governo. O objetivo era passar à população a ideia de que o país encontrava-se na mais perfeita ordem, os jornais foram calados, obrigados a publicarem desde poesias até receitas no lugar das verdadeiras atrocidades cometidas por militares contra os que questionavam esse regime. É possível afirmar que a censura teria durado 21 anos, ou seja, ela perpassou por todos os governos, de 1964 a 1985. Somente os militares governaram o país com mão de ferro, através de um projeto político sacado dos gabinetes dos generais e marechais do auto escalão do Exército e caracterizado pelo despotismo, extinção dos direitos políticos, civis e sociais, perseguição política. Os meios de comunicação foram censurados e houve o cerceamento da liberdade de produção, a industria cultural, a publicação e editoração de livros, a inquisição à moda medieval estava estabelecida e o index (lista de livros proibidos feita pela Igreja Católica no período medieval) parecia estar de volta juntamente, com a temporada de caça às bruxas. A produção cinematográfica, o teatro, a organização televisiva, nada escapava ao olho dos militares e censores do governo. Nesse período a música foi a que mais sofreu censura, e isso é fácil entender, porque, a música tem uma capacidade perspicaz de penetração no consciente e nu subconsciente das pessoas, por esse motivo os autores musicais e cantores eram aprisionados, vários discos apreendidos, empacotados e recolhidos, algumas canções nem chegaram ao conhecimento dos ouvintes. A exceção foi Roberto Carlos que cantava o romântico apenas. Enquanto a dupla Dom e Ravel criavam a música “Eu te amo meu Brasil” e sob a melodia dos incríveis “As praias do Brasil ensolaradas, tra la la la la”, o aqueles que nem sabia o que estava acontecendo de fato cantava pelas ruas repetiam trechos dessa música, enquanto isso, o pau estava quebrando.

Da geração que viveu entre os anos 60 e 70, quem não se lembra das marchinhas? “Eu tava atoa na vida e meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor”. Amor? A coisa estava é cada vez mais feia para aqueles que lutavam contra o regime. Alguns hoje ainda se lembram dos tempos de ginásio, e pra refrescar as ideias, que tal essa letra da época ginasial?

“Esse é um país que vai pra frente

ô ô ô ô ô

Um país de dente unida e tão contente

ô ô ô ô ô

Esse é um país que canta, trabalha e se agiganta,

é o Brasil do nosso amoooor!


Eu te amo meu Brasil

Eu te amo

Meu coração é verde, amarelo e branco, azul anil

Eu te amo meu Brasil

Eu te amo

Ninguém segura a juventude do Brasil!”


Com a censura em pleno vigor a TV passou a cumprir o papel a ela destinado que é o de alienar as pessoas. A televisão se tornou uma máquina de alienação e manipulação das massas, e os programas musicas que não eram ameaçadores ao sistema como o festival Shell na Globo, Almoço com as Estrelas (apresentado por Ailton e Lolita Rodrigues); Baile na Cultura apresentado por Agnaldo Rayol; Globo de ouro com as dez mais do mês; Programa Mixto Quente nas tardes de domingo da Globo; Milk Shak, com Angélica e muitos outros, como o programa de Simonal, considerado por muitos militantes de esquerda um traidor que se vendeu ao regime.

A música Popular Brasileira foi tratada pelo Estado como um ser nocivo, capaz de fazer mal a população, para o governo, elas eram ofensivas às leis, à moral e aos bons costumes. A cançaõ Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré, tornou-se mais cantada pelos manifestantes que o próprio Hino Nacional Brasileiro.

No governo do general Arthus Costa e Silva, que também foi Ministro da Guerra, foi editado o AI-1 (Ato Institucional nº 1) que foi uma maneira dos militares colocar em prática atos ilegais não calculados e até mesmo avessos à Constituição. O AI-1 editado em 09 de abril de 1964, concedeu aos militares poderes que antes eles não tinham, e assim os direitos e os atos políticos das pessoas ficaram proibidos por dez anos. Vários mandatos parlamentares foram cassados, e isso alarmou os parlamentares e transformou a estrutura do Congresso. O MARECHAL Costa e Silva assumiu em 1967, mas por motivo de doença, se retira em 1969, mas mesmo nos seus dois anos apenas de governo, enfrentou muitas adversidades e defrontou-se com uma série de manifestações que se estenderam pelo país inteiro. Era a reação ao despotismo e a coação que se agravaram na mesma proporção que as reações oposicionistas que o governo enfrentava nas bases populares.



O PERÍODO MAIS DURO DA CENSURA FOI O DE 1968 a 1978: DEZ ANOS DE CHUMBO


Durante o período de 1964 a 1978 são determinados 16 Atos Institucionais que servem de complemento para dar uma nova forma à Constituição de 1946, transformando-a completamente.

No governo de Emílio Garrastazu Médici, a censura, o “milagre econômico” e a propaganda politica tornaram-se o tripé de um governo mais rígido que outros que haviam ocupado o cargo de presidente. Em 1968, as coisas haviam fugido do controle. Tudo aconteceu quando um estudante secundarista Edson Luís morre assassinado pela polícia em uma manifestação que exigia que se abaixasse o preço da comida num restaurante Calabouço (olha que ironia, Calabouço, nome dado a prisões, era o nome do restaurante) muito frequentado pela juventude estudantil do Rio de Janeiro. Os “milicos”, apelido dados pelos manifestantes aos soldados, mataram um jovem de 37 anos por exigir que se abaixasse o preço da comida? Isso mesmo!Edson Luís tornou-se o herói da revolução contra a ditadura e a censura no Brasil. O movimento estudantil, a igreja, que no início apoiou o golpe e realizou uma procissão conhecida como a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade contra o comunismo” e a favor dos militares, contraditoriamente agora, reagiu junto à coletividade civil e promoveu uma passeata que entrou para a história como a “Passeata dos Cem mil”, ato que reuniu o maior número de pessoas, lutando juntas contra o regime militar.




A situação ficou mais tensa e isso fez com que o governo editasse e implantasse o AI-5, em 13 de dezembro de 1968, um dos atos mais conhecidos e mais duros na história do nosso país. Ele aboliu os mecanismos constitucionais dispostos na Constituição de 1967, revigorou os poderes despóticos do regime e conferiu ao Exército a faculdade legal de aprimorar as medidas repressivas, tais como ordenar que o Congresso fosse retirado do corpo com poder poder legislativo da nação, em nível estadual e das Assembleias Municipais. O AI-5 foi mesmo muito severo e duríssimo, consegui acabar com os focos de resistência armados que resistiam ao regime militar, inclusive a Guerrilha do Araguaia que ocorreu no início da década de 1970 na divisa entre Pará, Maranhão e tocantins. A guerrilha organizada pelo PC do B, que desde o início de 1960 já mantinha um grupo de militantes na região tinha como referências vitoriosas a China, em 1949, com Mao Tsé-tung, e Cuba, que tevo na luta armada Ernesto Che Guevara, Fidel Castro, Camilo Cinfuegos, Raul Casto. Participaram dessa guerrilha João Amazonas (PCB), Elza Monnerat (Dona Maria), Maurício Grabois (o Mário), Angelo Arroyo, (ambos do PC do B), Osvaldo Orlando (Osvaldão), Libério Castiglia (Joca, era italiano e único estrangeiro na guerrilha), André Grabois (Zé Carlos), Dinalva Oliveira Teixeira Dina), José Genoino (Geraldo), do PC do B, Luzia Reis (Baianinha) do movimento estudantil, Lúcia Maria (Sônia) estudante de medicina, Suely Kanayama (Chica) estudante de Letras na USP, e outros. José Dirceu que teve participação fundamental no sequestro do embaixador dos Estados Unidos, promovido pela guerrilha urbana.




Charge de Carlos Latuffi mostra o jornalista enforcado, porque os militares passaram o fato como um suicídio.
O curioso um jornal da época, “O Estado de São Paulo” muito tendenciosamente, publicava poemas no lugar de textos proibidos; o jornal da Tarde, também de São Paulo, publicava receitas culinárias no lugar das notícias censuradas. Uma coisa curiosa em nossos dias foi o que aconteceu recentemente: a Folha de São Paulo cunhou a frase “Ditabranda” dando a entender que aqui a ditadura foi menos violenta que outras que existiram na América Latina. Isso mostra que ainda hoje, mesmo sem a censura, ainda jornais conservadores continuam dizendo besteiras como esta, que negam a violência sofrida por centenas de brasileiros.




Durante os dez anos que vigorou o AI-5 (1968 a 1978), a censura federal proibiu mais de quinhentos filmes, quatrocentas peças de teatro, duzentos livros e milhares de músicas. O programa do Chacrinha, “Velho Guerreiro” foi suspenso por uma única palavrinha que disse: “Eu não vim para explicar, vim para confundir”.

O Serviço Nacional de Informações (SNI) tinha agentes e informantes em todo o Brasil – nas universidades, nas fábricas, nos prédios de apartamentos, etc. - para descobrir e denunciar aqueles que fossem contra o regime. As pessoas, mesmo que fossem apenas suspeitas pegas por engano transitando pelas ruas, eram torturas sob exigência de confessar o que não sabia, muitos acabavam morrendo nas sessões de tortura. O pau de arara, cadeira do dragão (elétrica) eram muito comuns, choque nas partes íntimas e outros.


Segurança e desenvolvimento eram os objetivos do governo militar. A segurança era garantida mediante repressão e a censura. O desenvolvimento era conseguido com grandes projetos financiados pelo capital externo, com isso, de 1968 a 1973 o país cresceu uma média de 8% ao ano. Era o “milagre econômico”. Mas que milagre foi esse que só encheu os bolsos dos empresários brasileiros, generais e donos de multinacionais, enquanto a população empobrecia? O tal “milagre” não tinha poder para fazer a multiplicação do salário do pobre, mas só dos ricos. Durante o “milagre” os salários ficaram baixos, a mortalidade infantil aumentou, cresceu a miséria da população. Mas que tipo de milagre da bexiga é esse? O próprio Médici, numa viagem ao Nordeste, reconheceu: “O país vai bem, mas o povo vai mal”.

Foi a época das grandes obras. Entre elas, a ponte Rio-Niterói e a Transamazônica. Foi a época que o Brasil sagrou-se tricampeão mundial de futebol no México (copa de 1970). Tudo isso era usado pelo governo militar como propaganda a seu favor, e aproveitava-se para empurrar goela abaixo dos brasileiros o ufanismo e um falso patriotismo imposto pela força, enquanto isso, um recado era passado à população e a todos aqueles que lutavam contra a repressão, as cores da nossa bandeira eram estampadas e exibidas em grandes festividades, como nas figuras abaixo. (Repare no slogan na figura 2).


                                             Figura 1                                 Figura 2
“Brasil, ame-o ou deixe-o!”.


O FIM DA CENSURA E DA DITADURA

Depois dos movimentos das “Diretas Já”, os militares perceberam que não tinha mais por que manter o país naquela ditadura, e a onda de protestos que chamava a atenção internacional gerava certa preocupação, por isso resolveram eles fazer uma transição lenta e gradual, uma abertura feita à moda militar, iniciada no governo do general Ernesto Geisel, que em suas próprias palavras chamou de “um processo lento, gradual e seguro de aperfeiçoamento democrático”. Logo a seguir veio a campanha pela anistia exigindo o fim das punições e a permissão da volta dos exilados ao país, projeto que o próprio governo encaminhou ao Congresso, em 1979, assim os brasileiros banidos puderam voltar, e as que foram cassadas readquiriram seus direitos políticos, só que isso não foi uma vitória completa, pois a anistia não foi “ampla, geral e irrestrita” como pretendia o movimento popular. Colocaram restrições no projeto para que aqueles que pretendessem voltar aos antigos empregos públicos passassem por avaliação de comissões especiais. Assim, por exemplo, cerca de 7 mil militares punidos durante o regime (eram contra a ditadura) não puderam voltar às Forças Armadas.

O último governo militar foi João Batista Figueiredo, o que disse que preferia o cheiro do cavalos ao cheiro do povo. O militar era criador de cavalos, e atá havia uma marchinha: “Upa upa cavalinho sem medo, leva pra Brasília o presidente Figueiredo”.

O fim do regime militar veio com a eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney em 1985, a democracia imperou novamente e a liberdade foi restituída após décadas de despotismo. A censura chegou ao fim, nasceram novos partidos políticos e finalmente alcançamos as eleições presidenciais diretas.



REFERÊNCIAS

PILETTI, Nelson, PILETTI, Claudio- História, ensino fundamental-EJA 4º ciclo. 1ª Edição, Atica, SP.

SCHIMIDT, Mario- Nova História Crítica do Brasil. Editora Nova Geração, 1998, SP.

Wikpedia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_guerrilheiros_do_Araguaia

Uol Educação

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/guerrilha-araguaia.jhtm

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/historia-regime-militar.jhtm

InfoEscola

http://www.infoescola.com/historia/censura-no-periodo-da-ditadura/

sábado, 23 de julho de 2011

MORRE A CANTORA AMY WINIEHOUSE



Os jornais ingleses publicam hoje a notícia da morte da cantora internacional Amy Winehouse

Com a cantora, TAMBÉM A PESSOA... Mais uma vida que se vai. Não acredito nessa baboseira mística de que chegou a hora, mas creio sim, que alguns adiantam a sua hora. O relógio da droga corre mais rápido que os relógios comuns, enquanto o cronômetro marca mais uma hora de vida, o ponteiro da droga marca uma 24 horas a menos para o usuário de drogas. Sempre 24 horas à frente, o curso da vida fica mais curto para os usuários. Sem contar que vive 30 anos a menos a cada tragada que dá! Claro, não me pauto por nenhum dado científico para comprovar o que digo, porém, na minha ignorância, se pudesse, exageraria muito mais, se isso ajudasse a salvar um jovem do submundo da droga, diria em hipérboles tudo aquilo que a droga é capaz de fazer com a vida de uma pessoa.

Amy Winehouse iniciou a sua carreira Aos 27 anos, a cantora foi encontrada morta em sua casa às 16 horas (horário de Londres) neste sábado. A notícia acaba de ser dada às 15 para as 2 da tarde pelo Jornal Hoje, Rede Globo. A cantora fez uma turnê pelo Brasil, passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Recife quando se tornou mais conhecida dos brasileiros.


QUEM ERA AMY WINEHOUSE

“Filha de um taxista e de uma farmacêutica, Amy Winehouse iniciou a sua carreira profissional na música com 16 anos e, quatro anos mais tarde, lançou o seu primeiro trabalho. Frank (2003) foi bem recebido pela crítica, mas seria com Back To Black (2007) que Amy Winehouse atingiria o estatuto de supervedeta. O álbum foi o mais vendido do ano passado e arrecadou cinco Grammies.

O casamento com Blake Fielder-Civil – recentemente condenado a 27 meses de prisão por agressão e obstrução à justiça – é apenas um dos focos da polémica que rodeia a vida e carreira de Amy Winehouse. São conhecidas as inúmeras hospitalizações e estadias em clínicas de desintoxicação. Amy Winehouse está a caminho de se tornar uma verdadeira lenda do mundo do espectáculo, a par de Marilyn Monroe, Elvis Presley e Jim Morrison, entre outros. E, no caso destes últimos, a morte precoce ajudou (e muito) a tornar eterna a sua memória.” (http://www.publico.pt/Cultura/amy-winehouse-faz-hoje-25-anos_1342682)

Amy encerra a sua carreira, não encima de um palco e bem longe da plateia, distantes das luzes, a cantora que alcançou 14 milhões de cópias em seu primeiro álbum “BLACK TO BLACK” foi encontrada no quarto de seu apartamento, silenciada definitivamente, supõe-se por uma overdose. Por enquanto a suspeita de overdose é apenas uma suposição a ser confirmada, só os laudos irão dizer a real causa da morte da cantora. Todavia, fica aqui um alerta para os jovens de que a droga já e. ncerrou carreiras brilhantes, não tem classe social, entra sem pedir licença, e vem sempre acompanhada de gente supostamente bem intencionada e boa de lábia. Se o pobre morre por dívidas com traficantes, rico morre por excesso de consumo, mas todos acabam morrendo precocemente, pessoas que nem aproveitaram bem a vida pós-adolescência. O melhor da vida é nas fases dos 30 e 40 anos e, é justamente antes de se alcançar essa fase mais bela da vida que a droga ceifa centenas de vidas. Em São Paulo alguns não chegam aos 20 anos de idade, especialmente nas periferias, os velórios mais comuns são de jovens, os pais que sonhavam que um dia, seriam sepultados por seus netos e filhos acabam amargando a tristeza de sepultar seus filhos na flor da idade. A droga já apagou o brilho de grandes estrelas, é triste saber que um parente próximo da gente está sendo consumido pelas drogas e que perdemos o jogo por um desgraçado de um traficante ou por um desses falsos amigos que ofereceu o primeiro trago sem pensar no que aquilo poderia acarretar mais a frente com aquela pessoa, com a sua família, seus pais. Depois das drogas nada mais interessa à pessoa, por mais que se fale, por mais que se alerte e dê conselhos, a pessoa consumidora da droga perde totalmente a capacidade de assimilar e processar as ideias, perde a reflexão e o discernimento, qualquer conselho lhe parecerá uma babaquice, uma afronta e suas reações podem até se voltar contra quem tenta tirar alguém desse Assim foi com Emy Winehouse. Pessoas perderam casas, pais tiveram que se mudarem às pressas deixando todo o seu patrimônio para trás para não perder a vida, já que o traficante quando ameaça ele cumpre a sentença, porque, a justiça do tráfico é a pior que existe, e se a justiça legal não funciona, eles são capazes de fazer a sua própria justiça. Quantos foram vitimados pelos “micro-ondas” como no caso do jornalista Tim Lopes? Quantos não foram fuzilados nos guetos da vida por ai, e quantos agora enquanto escrevo esse artigo não estão morrendo agora, nesse minuto, ou sendo consumidos pelas drogas, ou por conta de dívidas relacionadas às mesmas? Pois é, a droga mata de todo jeito, tira o melhor de cada um de nós, destrói a pessoa no auge de seu potencial. Quando a pessoa acaba de sair do casulo da infantilidade e começa a alcançar o seu estágio de borboleta na grande metamorfose da vida, lá vem o predador implacável do tráfico, aquele “colega” bem intencionado que se aproxima e oferece a química que porá fim ao mais belo ciclo da vida de um futuro cidadão que talvez iria ajudar a transformar a vida de outros milhões. Cérebros privilegiadamente inteligentes são dilacerados assim que a química alcança o cérebro destruindo pouco a pouco o sistema nervoso central fazendo da pessoa um vegetal, um ser quase inanimado, que sem a maldita não consegue nem respirar.


Assim foi Amy Winehouse!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

São Paulo paga mal aos professores

Impostômetro Mara nesta sexta-feira: São Paulo arrecadou até agora 65 bilhões de impostos, Rio de Janeiro 16 e Minas Gerais 17 bilhões. Por que São Paulo para tão pouco aos professores? O que Alckmin acha de Kassab gastar 420 milhões na construção de estádios? Claro, para o tucano Geraldo isso é normal, por isso que aparece sorrindo na foto quando o prefeito apresenta ao diretor do timão o projeto sancionado liberando essa dinheirama toda destinado à construção do Itaquerão.

São Paulo nesse momento é o Estado que mais arrecada impostos no país, deixando no chinelo Minas Gerais e Rio de Janeiro, entretanto o salário base dos professores não chega a dois salários mínimos. Depois de estudar tanto, é frustrante sair hoje de uma faculdade para se submeter a ganhar menos de dois salários mínimos por mês. Como não bastasse, o governo ainda quer dividir as férias dos professores em duas etapas: 15 dias em julho e outros 15 dias em janeiro. A cara de pau do governo do 171 é tão grande que ainda tem coragem de justificar sua decisão de dividir as férias alegando que foram os professores que pediram durante reuniões promovidas pelo secretário Herman. Será que um professor que sofre o ano inteiro com stress iria pedir: por favor governador, divida as minhas férias? Não acredito nisso. Se 30 dias é pouco, imagine 15 dias. Alguém distante da realidade do professorado das escolas públicas paulistas poderia dizer que os professores estão reclamando e fazendo greves de barriga cheia, porque, tem trabalhador por ai ganhando 600 reais, além disso, os professores têm recesso escolar. Verdade, mas o recesso é dos alunos, e não do professor, apesar de que passar recesso sem dinheiro seria melhor mesmo fazer algum bico nesse período. Agora, se os alunos terão 31 dias de férias, e os outros 15 dias depois das férias de julho? Com certeza irão convocar o professor para algum curso. Agora, serão 15 dias de férias: como estará o bolso do professor e da professora? Receberão o equivalente à 30 dias de férias: que vantagem há nisso? Antes recebia por 30 dias completos, mais um terço acrescido ao salário que caia dia 20 de janeiro. E agora, como será isso? Tal impo¬sição encontra-se na Resolução SE 44/2011.

A APEOESP denuncia no Fax Urgente nº 54 de 20/07/2011:


“Todos os trabalhadores têm direito a fé¬rias integrais... e o Estado está querendo tirar este direito dos professores. A catego¬ria necessita de um período ininterrupto de férias, suficiente para que possa estar com suas famílias e para se recompor das exte¬nuantes jornadas de trabalho, muitas vezes em mais de uma escola. Também as es¬colas precisam ficar totalmente vazias por período equivalente para que possam ser realizados trabalhos de manutenção ne¬cessários para o bom andamento do ano letivo. Portanto, não vamos aceitar mais este ataque aos professores.” Para ler mais sobre isso, entre em http://apeoespsub.org.br/teste/Fax/Fax_5411.pdf.

Como vemos, não só os professores, mas todos aqueles que um dia estiveram em sala de aula, como a maioria dos diretores e diretoras de escolas precisam apoiar a luta dos professores contra tamanho descaso. Toda a sociedade, os estudantes, pais e alunos, funcionários (maioria hoje terceirizada e com seus direitos reduzidos, já que o governo preferiu abrir mão deles). O que o governo pretende? Primeiro ele foi aos poucos abrindo mão dos funcionários que cuidam de limpeza, merenda etc, agora ele acaba com secretários e secretárias pela PLC 38/2011 enviado à ALESP.

"Estamos fazendo o primeiro movimento de valorização e qualidade da escola pública do Estado de São Paulo. Começamos pelo professor. Mantemos o bônus por desempenho e a valorização pelo mérito", afirma o governador Alckmin. Dando um aumento para profissionais ativos e aposentados de 13,8% em julho? De que valorização o governador está falando? Já acumulamos perdas de 37%, quase 40 e ele dá 13% e ainda faz pose frente as lentes midiáticas de bonzão?

O governo não respeita nossos direitos, somos trabalhadores como qualquer outro, não temos fundo de garantia e se não passamos nos concursos para efetivação somos apenas contratados por período temporário podendo perder aulas a qualquer momento, fora os abusos que temos que suportar, chega a ser humilhante as vezes ter que engolir um palavrão do aluno em silêncio, já que qualquer resposta dada volta-se contra o professor que perde o cargo, mesmo sendo efetivo. Salas superlotadas, trabalhando em duas a três escolas porque o que se ganha em uma não daria para pagar nem um prestação de 300 reais de um automóvel desses mais baratos e usados, quer dizer: professor não come, não tem que pagar aluguel, prestação de imóvel ou outras prestações, não tem família, já que passa maior parte do tempo percorrendo escolas, enfim, essa é a vida de grande parte dos professores que vivem uma dura realidade desconhecida por que não sabe nem nunca irá saber como é entrar numa sala de aula repleta de debochados que só vão para a escola por conta da “Bolsa Escola”. Cada aluno representa para uma mãe cerca de 200 reais pagos pelo governo do Estado, e se a criança matriculada não freqüentar a escola, perde-se esse benefício, essa esmola que nos obriga a aguentar alguém que por vontade própria jamais estaria ali, por isso há sempre uma meia dúzia de alunos nessas condições de esmoleis que só estão na escola por conta dos míseros 200 reais do governo, da merenda escolar e só, nas aulas só faltam derrubar a escola. Alunos de atitudes e reações delinqüentes, cujas atitudes por vezes até intimidam o professor, qualquer coisa eles evocam o ECA que por vezes o diretor ou a diretora, o coordenador escolar tremem e esfregam na cara do professor passando-lhe o maior sabão por ter por um deslize ofendido o aluno que passou a aula toda lhe atrapalhando uma aula que poderia ter sido ótima. O professor por vezes planeja uma aula e vai todo empolgado, mas quando chega na classe e vê lá de trás um aluno que está ali só para lhe perturbar, pronto: lá se foi todo o estímulo com que chegou! Quantos saem atrasados da sala de aula? Pior é que não existe um profissional para lhe dar suporte? Não existe um refúgio sequer para esse profissional se refazer5 da decepção e das afrontas que sofreu. Não tem um psicólogo para lhe dar uma palavra de estímulo, e o único suporte desses pobres profissionais são aqueles textos que alguns coordenadores mal instruídos trazem para os HTPCs, textos de pseudos especialistas que lucram escrevendo sobre como lidar com os alunos em sala de aula, pedagogia do afeto, construtivismo, aulas mais motivadoras etc, chega a irritar quando após sair de uma sala estressante e nos deparamos com um texto onde o especialista que escreveu nunca pisou em uma sala de aula de uma escola pública, pior é que tais textos parecem até uma receita de como dar uma boa aula com aluno que só estão ali por uns míseros duzentos reais, mas não quer e ainda tem raiva de quem estuda e do professor que está ali para instruí-lo, para esse tipo de aluno, o professor é inimigo dele, mesmo não sendo. As vezes é como jogar pérolas aos porcos, parafraseando um dos sermões de Cristo. Vivemos uma era em que qualquer um dá palpite sobre educação, estamos cheios desses mestres na psicologização dos problemas que o aluno trás de casa, problemas relacionados com os traumas, a vida que leva, os pais separados, pais presos, condições econômicas, até a vida pessoal do aluno ou aluna passa a ser alvo e falas subservientes. Argumentações inconvincentes que tentam promover, não só o aluno, mas também a incompetência de saber separar as coisas, acaba-se avaliando o aluno não por aquilo que ele produz, mas por aquilo que ele passa em sua vida miserável, e um fato familiar acaba tendo mais peso num conselho de escola que qualquer atividade realizada de fato pelo aluno, e quando não são os problemas de ordem psicológica, econômica ou social que acabam tendo maior peso entre os participantes do conselho tem-se a fala: cuidado, aquele aluno do EJA é perigoso, uns estão em liberdade assistida, então vem a famosa fala: “Convém aguentar esse “traste” por mais um ou dois anos?” Parte dos professores assustados concordam: “É mesmo na, pensando bem...” Logo vem o ultimato: “Vamos passar logo esse aluno”! Ponto final...

Conclusão: em tese é isso que impera hoje em dia nas escolas, principalmente nas periferias, e só digo isso porque tenho a oportunidade de trabalhar em duas escolas diferentes, mas as falas são as mesmas. Se alguém gravasse poderia constatar que a psicologização, as desculpas e o medo do ECA ou de ter que suportar por mais um anos determinados alunos é que determina quem passa ou não. Questionamos as faltas do aluno que quase não compareceu e foi compulsóriamente promovido em relação ao aluno que freqüentou, ficou tímido em seu canto, mas seu rendimento foi insuficiente e por isso ficou, já o atormentador, o “coitadinho” sem mãe e sem pai, o LA, o passador de drogas, o que destrói carteiras e a escola, o que prensa diretor contra a parede quando está de turma em uma sala onde só estão eles e a diretora, esse passa. Enfim, são muitos os casos de diretores e professores subservientes, complacentes, nada críticos de sua profissão que estão ali só para cumprir tabela, mas parar para fazer uma boa reflexão sobre para onde as leis e os governos subservientes da quadrilha dos tucanos estão querendo levar a nossa profissão, isso os diretores morrem de medo de questionar, e se um professor mais crítico aparece, logo vem a ordem de cima e diz: “Pega esse idiota e enterra”, parafraseando o trecho de uma música “Milho aos Pombos” de Zé Geraldo.

“Se chega alguém querendo consertar
Vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra”

Mas não tem nada não, um dia quem sabe esse medo acaba, a complacência deixa de existir e a crítica aflora, ai as coisas mudarão. Porque os professores mais críticos e que não se enquadram dentro dos podres padrões do sistema, e não cabem nos moldes que os governos impõem neo são os profissionais ideais dos diretores, estes sempre vão existir, sempre haverá um que erguendo a mão sugere: “Pela ordem senhora diretora, posso fazer uma pequena intervenção nesse assunto”, outros torcerão o nariz, porém, mal sabem que estão sendo escravizados pela sua falta de percepção, cumplicidade e comodidade que os tornam incondicionalmente convenientes aos interesses do governo e daqueles que só querem manter-se numa posição mais confortável na sociedade. Não podemos aceitar a condição de mantenedores do “status quo” de alguns. Por que precisamos nos perguntar: “O que eu estou fazendo aqui”? “Por que estudei tanto?” E não simplesmente aceitar o último trecho da música de Zé:

“Ta todo mundo querendo descobrir
Seu ovo de Colombo
Isso tudo acontecendo
e eu aqui na praça
dando milho aos pombos”.

Precisamos retomar a nossa capacidade de se indignar
Os professores e os outros profissionais da educação precisam readquirir a capacidade de questionar as coisas
Precisamos reaprender o caminho das ruas
O professor precisa redescobrir o poder da indignação
Redescobrir a si mesmo e, redescobrir-se no outro que luta
Oo segredo está a força da união!
Precisamos voltar a ser utópicos, e a ter paixão pelo que ensinamos
Fazer de cada lição, uma aula
De cada aula um gesto de cidadania crítica e participativa
Podemos transformar a dura realidade em material didático, e podemos transformar idéias em poder
Precisamos multiplicar sonhos
Fazer acreditar que é possível mudar,
E se alguém perguntar: é possível?
Sim, é possível... (I have dream)
O professor, a professora podem mais...
Podem mostrar em cada gesto, que as coisas nem sempre foram se encontram hoje, e que na História, tudo pode mudar...
Quem é crítico tem uma missão:
Fazer com que cada aluno e professor saibam que as coisas nem sempre foram assim, como nos são apresentadas hoje
Fazer com que cada um saiba, que por trás de cada estrutura e superestrutura, existe alguém muito poderoso querendo que pensemos assim: que realmente não tem mais jeito e que nada há de mudar.
O duro é ter “saco” pra aguentar aqueles já conformados dizem: “A educação ta falida”, ou “Não tem mais jeito não” e para completar sua verborragia de palavras, vem outro idiota e completa: “E a globalização, a moda é essa agora, reduzir gastos, o que se pode fazer?”
Quem tem o poder, por mais efêmero que seja, não quer ter por perto pessoas que lutam, questionam e revidam
Não querem que questionem seus abusos
Eles querem pessoas conformadas, bestas no sentido mais estrito da palavra.
Mas está na hora de refletir, de tomar atitudes mais drásticas, de ir para as ruas
Dar o grito de liberdade
Virar a mesa, se preciso, mas nunca se calar
Claro, não sejamos ingênuos de pensar que não sofreremos retaliações
Não seremos bem vistos nem bem quistos
Até nossos colegas nos estranharão
Mas tem problema não
Importante é saber que só se luta quando se sabe a razão, e a nossa está bem clara...

Todos pela educação!

Chegará o dia em que alguns de nós, envergonhados da nossa covardia diremos: o que aprendemos com os estudantes e professores do Chile? Eles foram às ruas, enfrentaram tanques e a polícia por uma reforma educacional mais decente. E nós? Fizemos o que frente aos abusos do governo que impõe decretos que aniquilam e acabam com a nossa carreira. Não precisamos de secretários com boa lábia e refutamos a democracia do “Fala que eu te escuto” de Herman. O que queremos é, não apenas sermos ouvidos, mas sermos atendidos em nossas propostas, queremos uma valorização real, sermos mais respeitados como profissionais, salas de aulas com no máximo 25 a 30 alunos, menos tempo nas escolas e mais tempo com a família. Que adianta trabalhar 12 horas por dia para poder ao fim do mês poder pagar nossas contas e futuramente ficarmos loucos e inválidos para o sistema. O Estado enlouquece seus profissionais da educação, depois o mundo do trabalho os refutam como lixos, escórias da sociedade que ajudou a formar. É preciso denunciar: 930 reais não é salário. Sair quase louco da sala de aula por 20 horas-aulas e ver ao final do mês um holerite de 995,87 centavos.

Agora pense!

Você se submeteria a fazer uma faculdade para passar o que passamos em salas superlotadas para ao fim do mês ver no holerite 995,87 centavos?

Quando vi que não dava nem para pagar as contas, quis desistir! A maior revolta é ver um governo sorrindo para um projeto de 420 milhões destinados a construção de estádios de futebol e ver que São Paulo tem a maior arrecadação do país, entretanto o governador diz que não dá pra melhorar os salários, além disso, divide as férias dos professores de forma arbitrária e impõe decretos que elimina cargos de secretários, uma política de méritos que contempla apenas 20% da categoria que passar em provas para aumento e quem quiser pegar aulas entre os ACTs, precisa passar em provas, correndo o risco de não ter aulas atribuídas. Uma completa violação dos nossos diretos trabalhistas. Esse é o governo dos golpes.

A política do 171 em pleno vigor em São Paulo!

- Professores terão férias em duas etapas.
- Aumento parcelado como suaves prestações em até 2014: quem viver verá!
- PLC 38 acaba com os secretários de escolas.
- Resolução SE 44/2011- férias parceladas para professores.
- 13% de aumento em julho, enquanto isso o impostômetro acusa: São Paulo arrecada até essa sexta-feira, advinha?




http://www.impostometro.com.br/

A areecadação de 65 bilhõezinhos é pouco, e 800 na União é pouquinho também, já que os deputados ganham 26 mil reais por mês, e o senhor Kassab em São Paulo também passa a ganhar 25 mil por mês com aprovação dos vereadores. Já o professor... Óhhhhhhhhhh. Ganha 13% e..., aquilo que Maria ganhou atrás da horta.

Oba, a coisa ta esquentando. Ta ficando bom... Daqui a pouco não nos restará mais nada, aos poucos vemos nossos direitos indo pro ralo e os tucanos comemorando a destruição da escola pública. Enquanto isso, ganham as instituições privadas!

É isso que merece quem vota em tucano. Muitos puxa-sacos que se encontram nas escolas, inclusive professores e diretores votaram em Alckmin, agora...

Tome!