terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ILUMINISMO

O Iluminismo

O pensamento iluminista defendia a bondade inata do homem e desejava melhorá-lo, libertando-o das superstições e das "trevas" da religião.
Agora, tudo era discutido e analisado.
Aos enciclopedistas interessava apenas a certeza dos fatos.

Contexto Histórico

O Iluminismo surge em uma época de grandes transformações tecnológicas, com a invenção do tear mecânico, da máquina a vapor, entre outras. É o período que marca o fim da transição do feudalismo para o capitalismo. O século XVIII foi denominado "Século das Luzes" devido ao esplendor das artes e das idéias. A aristocracia e os monarcas apoiavam os artistas, num frutífero mecenato que vitalizou a cultura do século. A Corte de Versalhes, na França, fascinava uma aristocracia refinada, sensível às idéias do Iluminismo.
O Iluminismo (ou Ilustração) foi um movimento intelectual marcado por forte racionalismo e postura crítica. Os intelectuais que defendiam a razão como principal meio para trazer "luz" e conhecimento aos homens foram denominados iluministas e o século XVIII, o "Século das Luzes". Afirmou-se o direito à liberdade e à igualdade entre os homens e foi posta em dúvida a explicação divina para a História. A ciência adquiriu uma importância fundamental para o progresso humano, mediante as contínuas inovações tecnológicas. Os valores morais do Iluminismo foram a tolerância, o humanismo e o respeito à natureza. Sem abandonar o absolutismo, alguns monarcas adotaram princípios iluministas para reformar e modernizar seus países, ficando conhecidos como déspotas esclarecidos. As artes e o pensamento foram estimulados pela aristocracia e pela Coroa. Sobre o Iluminismo o historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu o seguinte:

“Libertar o individuo das algemas que o aguilhoavam era o seu principal objetivo: o tradicionalismo ignorante da Idade Média que ainda lançava sua sombra pelo mundo, da superstição das igrejas (distintas da região racional' ou 'natural'), da irracionalidade que dividia os homens em uma hierarquia (...) de acordo com o nascimento ou algum outro critério irrelevante. A liberdade, a igualdade e em seguida, a fraternidade de todos os homens eram seus slogans. No devido tempo se tornaram os slogans da Revolução Francesa (...).
A apaixonada crença no progresso que professava o típico pensador do iluminismo refletia os aumentos visíveis no conhecimento e na técnica, na riqueza, no bem-estar e na civilização que podia ver em toda a sua volta e que, com certa justiça, atribuía ao avanço crescente de suas idéias. No começo do século, as bruxas ainda eram queimadas; no final, os governos do iluminismo, como o austríaco, já tinham abolido não só a tortura judicial mas também a servidão. O que não se poderia esperar se os renascentes obstáculos ao progresso, tais como os interesses estabelecidos do feudalismo e da igreja, fossem eliminados?” (Eric Hobsbawm)

No "Século das Luzes", destacaram-se os enciclopedistas, com sua ideologia racionalista, e Adam Smith, que assentou as bases do liberalismo econômico. Muitos nomes podem ser lembrados, como por exemplo, os filósofos René Descartes; Montesquieu; Voltaire; Rousseau; John Lock; Diderot; D´Alambert e o economista Adam Smith serão os destaques entre os pensadores iluministas. Dénes Diderot e D´Alambert foram os responsáveis pela organização da Enciclopédia. A obra foi composta de 35 volumes que se destinava a organizar e a divulgar as novas idéias que surgiam durante o período em que vigorou o Iluminismo. Dentre esses pensadores, alguns se dedicaram às ciências e ajudaram a desenvolver o método científico que nos seve de base até hoje para os nossos estudos, baseado em teorias que podem ser comprovadas pela experiência. Seu principal representante foi Isaac Newton.


ATIVIDADE


1. Analise as afirmativas abaixo:
I) Os Iluministas foram os maiores defensores do poder da igreja.
II) Para os iluministas a igreja utilizava as superstições para por medo nas pessoas que contestassem as verdades impostas pelo clero.
III) O Iluminismo tinha por objetivo libertar o homem das superstições e das trevas da religião.
IV) Postura crítica, liberdade, individualismo e racionalismo eram características do Iluminismo.

São corretos os itens
(a) I-II-IV.
(b) I-III-IV.
(c) II-III-IV.
(d) I-II-III.

2. Os déspotas esclarecidos foram alguns monarcas que:
(a) adotaram princípios iluministas para reformar e modernizar seus países, sem abandonar o absolutismo.
(b) abandonaram o absolutismo e adotaram os princípios democráticos como a liberdade e a igualdade.
(c) rejeitarem os princípios iluministas e tornaram-se ainda mais tiranos e mais absolutistas.
(d) estudaram os pensamentos iluministas para destruí-los de uma vez por todas.

3. Quais foram os três valores morais do Iluminismo? Quais desses valores as pessoas tem mais desrespeitado ultimamente, e o que devemos fazer para que sejam respeitados por toda a sociedade?









4. Ao escrever sobre o Iluminismo Eric Hobsbawm faz a seguinte afirmação: “ Libertar o individuo das algemas que o aguilhoavam era o seu principal objetivo”. Sobre que tipo de algemas o historiador está falando?








5. "Século das Luzes" que direito se afirmou? Que tipo de explicação foi posta em dúvida?











Parte 2
Os Pensadores do Iluminismo

Barão de Montesquieu
“A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”.

O pensador Montesquieu, filósofo e jurista francês e autor da obra “O Espírito das Leis” inspirado no modelo político inglês defendeu a separação dos poderes e imaginou que cada um dos poderes deveria ser seria independente do outro. Ao mesmo tempo, acreditou também, que um controlaria o outro. O objetivo de separar os poderes foi uma clara tentativa de criar um mecanismo político que limitasse o poder absoluto dos reis. Veja a justificativa apresentada pelo autor:

Fragmento 1
“É uma experiência eterna a de que todo homem que tem o poder é levado a abusar do mesmo; ele vai até o ponto em que encontra limites (...). Para que seja impossível abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder . (...) Tudo estaria perdido se o mesmo homem (...) exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar resoluções públicas e o de julgar os crimes e as disputas entre os particulares.” (MONTESQUIEU, Charles S. Do Espírito das Leis. In: CHATELÊT , François et al. História das Idéias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. p. 65.)

Fragmento 2
(...) Se o judiciário se unisse com o executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor. E tudo estaria perdido, se a mesma pessoa ou o mesmo corpo de nobres, de notáveis, ou de populares, exercesse os três poderes: o de fazer as leis, o de ordenar a execução das resoluções públicas e o de julgar os crimes e os conflitos dos cidadãos”. (Montesquieau, Do Espírito das Leis, 1748).

Fragmento 3
“Quando todos os poderes Legislativo e Executivo ficam reunidos numa mesma pessoa ou instituição do Estado, a liberdade desaparece (...)”
“E tudo estaria perdido se uma mesma pessoa – ou uma mesma instituição do Estado exercesse os três poderes: o de fazer leis, o de julgar os conflitos entre os cidadãos”. (Charles S. Montesquieu. O espírito das leis. São Paulo, Martins Fontes, 1996. p.168 - adaptado.)

Na proposta de Montesquieu a divisão dos poderes seria assim:
• O poder Executivo seria representado pelo presidente, governadores e prefeitos, e o dever de quem governa seria o de executar as leis que estão na Constituição, aprovadas pelo poder Legislativo.
• O poder Legislativo seria representado pelos senadores, deputados federais, estaduais e vereadores, e o dever desses representantes seria o de elaborar, discutir e aprovar as leis.
• O poder Judiciário deve ser representado pelos juízes que devem julgar todos aqueles que não cumprem as leis.
Apesar de procurar uma maneira mais adequada de impedir a centralização do poder, o espírito democrático de Montesquieu esbarrava na sua visão pessoal em relação às camadas mais pobres. Chegou a pensar que o voto deveria ser estabelecido pela renda financeira de cada um, de modo que os grupos mais pobres não tivessem acesso ao processo eleitoral. Para Montesquieu a burguesia é o grupo social mais apto para chegar ao poder, ele chegou a pensar que o VOTO deveria ser estabelecido conforme a renda financeira de cada um, esse era o seu pensamento pessoal.

Voltaire
“A primeira lei da natureza é a tolerância - já que temos todos uma porção de erros”.
"O preconceito é uma opinião sem julgamento. Assim em toda terra inspiram-se às crianças todas as opiniões que se desejam antes que elas as possam julgar."

Ao longo de sua vida Voltaire dedicou-se a lutar contra a ignorância, o preconceito e o fanatismo e em favor da liberdade, da justiça e da tolerância. É dele a conhecida frase:

"Posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Voltaire escreveu Cartas Inglesas, 1734. Esse iluminista ficou conhecido por dirigir duras críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza. Em Cartas Inglesas, vemos que o filósofo acreditava na possibilidade do rei governar de uma forma diferente do modelo absolutista. Em sua opinião, ao invés de os reis continuarem a buscar o apoio dos nobres (duques, condes, entre outros), era preciso ganhar a simpatia da burguesia (grandes comerciantes em geral). Desta forma, o rei seria um déspota esclarecido, ou seja, um monarca inspirado nas idéias iluministas.
Por dizer o que pensava, Voltaire foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Voltaire entendia que os homens possuíam por natureza o direito à liberdade, à propriedade e à proteção das leis. Lançou críticas veementes contra a Igreja Católica, acusando-a de retrógrada e responsável pela ignorância do povo.
O pensamento antiabsolutista e anticlerical de Voltaire, ou seja, a manifestação de suas críticas ao clero, a Igreja, e ao absolutismo, fica bem claro na frase abaixo de autoria do “padre ateu” Jean Meslier (1664-1729), um dos precursores do Iluminismo.Numa versão reduzida e intitulada "Extrait des sentiments de Jean Meslier" Voltaire teria publicado esse pensamento, e suas idéias subversivas e anti católicas circulou por toda a França. Veja o que diz:

Fragmento 4
"Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre." ("Je voudrais, et ce sera le dernier et le plus ardent de mes souhaits, je voudrais que le dernier des rois fût étranglé avec les boyaux du dernier prêtre.")

O mais surpreendente em torno dessa frase não é tanto o fato de ela ser anterior a Diderot, Voltaire e o enciclopedismo.

Dénis Diderot

Diderot, em "Les Éleuthéromanes", poema que faz uma alusão direta à frase mais violenta e mais conhecida do "pai do ateísmo" também foi radical nas suas críticas. Olha o que diz um dos versos do poema:

Fragmento 5
"E suas mãos arrancarão as entranhas do padre / na falta de uma corda para estrangular os reis." ("Et ses mains ourdiraient les entrailles du prêtre / Au défaut d'un cordon pour étrangler les rois.")


Jean Jacques Rousseau
“O homem nasce bom, a sociedade o corrompe"

Obras:
- Discurso Sobre as Ciências e as Artes
- Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens
- Do Contrato Social
- Emílio, ou da Educação
- Os Devaneios de um Caminhante Solitário.

Nascido em Genebra, Suíça e autor de o “Contrato social”, Rousseau foi considerado o “pai da democracia moderna” devido a defesa das suas idéias tão populares. Para esse pensador e filósofo o soberano (governo) deveria conduzir o Estado segundo a vontade do seu povo. Somente um Estado com bases democráticas teria condições de oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos. Suas idéias inspiraram a Revolução Francesa de 1889.
Na obra “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens Rousseau exaltou as virtudes da vida natural e atacou a corrupção, a avareza e os vícios da sociedade “civilizada”. Veja um trecho de uma das obras de Rousseau:


Fragmento 6
“O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, disse isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para respeitá-lo. Quantos crimes, guerras, assassinatos, misérias e horrores teria evitado à humanidade aquele que, arrancando as estacas desta cerca (...), tivesse gritado: Não escutem esse impostor, pois os frutos são de todos e a terra é de ninguém.”
(Jean-Jacques Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. In. Rousseau. São Paulo. Abril, 1978. p.259. Coleção Os Pensadores.)
Rousseau afirmou que a razão é o mais importante elemento para o homem chegar à verdade; ele discordava da idéia de que o PROGRESSO estaria LIGADO à acumulação de riquezas. Ele dizia que pelo contrário, a fonte de todos os males sociais era a acumulação de propriedades, especialmente de terras, e nisso também estaria a origem de todas as guerras e violências. Mas para esse pensador seria muito difícil mudar essa realidade (a da concentração de terras nas mãos de poucos), portanto, para assegurar que as camadas mais ricas não sacrificassem o povo mais pobre, defendeu a LIMITAÇÃO do poder do Estado, acompanhado de um governo voltado para os interesses populares. É por isso que é um dos pensadores que mais influenciou a chamada “democracia moderna”.

René Descartes
“Penso, logo existo”.

Pensador francês, autor da obra “Discurso do método” onde desenvolveu um método racional que é considerado bastante sofisticado até os dias atuais. Para ele o caminho mais adequado para atingirmos o conhecimento é a DÚVIDA. Descartes achava que se simplesmente acreditarmos em tudo que aprendemos, apenas guardamos as informações, mas não refletimos sobre elas. Para esse pensador tudo que existe deve existir por uma causa e comprovação e a prova de que o homem existe é o próprio pensamento, por isso, construiu a frase: “Penso, logo existo”. A sua conclusão é de que o verdadeiro conhecimento é aquele que vem do INTERIOR do homem, do seu pensamento, pois tudo mais que aprendemos nos é transmitido pela tradição social.

Quesnay
“Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui-même”

Pensador francês, um dos principais destaques da escola fisiocrata. Acreditava que somente a agricultura era criadora de riqueza, enquanto que a indústria só se limitava a transformar a matéria-prima. Assim, os indivíduos úteis na sociedade eram os grandes proprietários e os fazendeiros. Sua visão defensora da liberdade econômica, expressa-se na máxima laissez faire, laissez passer (deixem fazer, deixem passar) Sua frase tornou-se símbolo do liberalismo. Para Quesnay o melhor Estado era aquele que menos governava e este só deveria interessar-se pela manutenção da ordem, da propriedade e da liberdade individual. Para esse pensador tem que haver liberdade econômica, por isso cunhou a célebre frase: “Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui-même” ou seja, deixai fazer, deixai passar, que o mundo vai por si mesmo. Quesnay foi o um dos defensores da idéia de oferta e procura aonde, segundo ele, o preço dos produtos aumentam quando a procura for maior e a oferta menor fazendo assim variar o preço no próprio mercado que o regula. Portanto, se existir liberdade, produz-se e consome-se o necessário, logo há estabilidade do preço e equilíbrio. Suas teorias viriam a influenciar outros pensadores fisiocratas e defensores do liberalismo como Adam Smith.

John Locke

Locke filósofo inglês, dizia que o governo só existe porque o povo permite. Portanto, o Estado deveria obedecer às liberdades individuais e naturais dos homens, senão o povo teria o direito de se revoltar contra o governo.


Adan Smith

"A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes”.

Pensador inglês, seus trabalhos eram voltados para a Economia. Autor de “A Riqueza das Nações”. Em suas obras defende a idéia de que o Estado não deve controlar a Economia. Adam Smith é considerado o “pai do Liberalismo”. Ele creditava que a Economia possui leis próprias e, portanto, a ação do governo como tabelar preços, estipular taxas alfandegárias, entre outros, é desnecessária e prejudicial.

Para Adan Smith, toda atividade econômica deve ser exercida por PARTICULARES, cabendo ao GOVERNO apenas administrar o que não visa lucro. Para ele, o motor do desenvolvimento econômico é a livre concorrência, seja ela entre as empresas ou entre os homens. Essa idéia de que o Estado não deve interferir na Economia é chamada de liberalismo econômico.
Influenciado por Quesnay, Adam Smith em sua obra popularizou a frase célebre “laissez-faire, laissez passer”. Para descrever com funciona uma economia de mercado o autor de Riqueza das |Nações também empregou o termo “mão Invisível”. Veja:

Fragmento 7
A clássica metáfora de Adam Smith sobre a 'mão invisível' refere-se a como o mercado, sob condições ideais, garante uma alocação eficiente de recursos escassos. Mas, na prática, as condições normalmente não são ideais. Por exemplo, a competição não é completamente livre, os consumidores não são perfeitamente informados e a produção e o consumo desejáveis privadamente podem gerar custos e benefícios sociais", explicou a nota da Real Academia Sueca de Ciências por ocasião da outorga do Prêmio de Ciéncias Económicas 2007. (A enciclopédia livre Wikipédia)

Condorcet
Apologia do progresso e da razão

Fragmento 8

“As nossas esperanças sobre o estado futuro da espécie humana reduzem-se a estes três pontos: a destruição da desigualdade entre nações, os progressos da igualdade num mesmo povo, enfim, o aperfeiçoamento real do Homem.
Chegará assim o momento em que o sol iluminará sobre a terra homens livres, não reconhecendo outro mestre além da sua razão [...].
Por uma escolha feliz e pelos próprios conhecimentos e métodos de ensino pode-se instruir todo um povo de tudo o que cada homem tem necessidade de saber para a economia doméstica, para a administração dos seus negócios, para o livre desenvolvimento da sua indústria, e das faculdades, para reconhecer os seus direitos [...], para ser senhor de si próprio.
A igualdade da instrução corrigiria a desigualdade das faculdades, assim como uma legislação previdente diminuiria a desigualdade das riquezas. Aceleraria o progresso das ciências e das artes, criando-lhes um meio favorável [...]. O efeito seria um aumento de bem-estar para todos.” (Condorcet, Quadro dos Progressos do Espírito Humano (1793)


ATIVIDADE

1. Pensador francês, que desenvolveu um método racional que é considerado bastante sofisticado até os dias atuais:
(a) D' Alambert. (b) Condorcet. (c) Montesquieu. (d) René Descartes

2. Uma das famosas frases de Descartes teria sido:
(a) “Ser ou não ser, eis a questão”.
(b) “Penso, logo existo”.
(c) “o homem nasce bom, a sociedade o corrompe”.
(d) “Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui-même”.

3. Os termos “laissez faire, laissez passer” e “mão invisível” foram empregados na obra:
(a) Contrato social de Rousseau.
(b) O Espírito das Leis de Montesquieu.
(c) Autoridade política, artigo escrito por Dénis Diderot.
(d) A Riqueza das Nações, de Adam Smith.

4. “O mundo só será inteiramente livre no dia em que o último rei morrer enforcado com as tripas do último padre” Essa frase é:
(a) Jean Misler.
(b) Voltaire.
(c) Montesquieu.
(d) D'Alambert.

5. “Posso não concordar com uma única palavra que você diz, mas lutarei até o fim para que você tenha o direito de falar”. O autor dessa frase foi um grande defensor de que direito à liberdade de expressão e da tolerância:
(a) Voltaire.
(b) Adam Smith.
(c) Montesquieu.
(d) Jhon Lock.

Texto complementar

Caro senhor ministro da Educação

É a beleza que engravida o desejo. Os
sonhos de beleza têm o poder de
transformar indivíduos isolados num
povo

RUBEM ALVES

Acho, Paulo Renato, que você ocupa a posição política mais importante do Brasil -mais que a da Presidência. Sobre o presidente paira uma maldição terrível, descrita por Maquiavel em "O Príncipe": a maldição do poder.
O poder é um demônio que não dá descanso, não havendo exorcismo que o resolva. Totalitário, ele se apossa do corpo e da alma; exige lealdade total e não deixa sobrar tempo para mais nada. Tal qual são Jorge, o presidente passa os dias e as noites lutando com um dragão que ressuscita a cada manhã, não lhe sobrando tempo para dedicar-se às coisas que são essenciais.
O essencial na vida de um país é a educação. Se não me falha a memória, você estudou em colégio de padres e vai entender o que digo. No Evangelho de João, está escrito que "no princípio era o Verbo". "Princípio", em grego, é palavra filosófica, que não significa só começo no tempo, mas fundamento - aquilo que é a base do que existe.
Acho que o autor sagrado não ficaria bravo comigo se eu fizesse uma tradução livre do seu texto para os tempos modernos: "No princípio é a educação". A educação, em essência, é precisamente isso: o exercício do Verbo.
Pensa-se que a tarefa de um político é administrar o país: pôr a casa em ordem, construir coisas novas, consertar as velhas; cuidar de finanças, saúde, segurança, Justiça e meios de comunicação; administrar os meios de escolarização existentes, coisa sob a responsabilidade do Ministério da Educação.
Discordo. Há uma diferença qualitativa entre o que fazem os ministérios administrativos e o que o Ministério da Educação deve fazer. Os primeiros cuidam do "hardware" do país; lidam com a "musculatura" nacional. O segundo cuida do "software", da "inteligência" nacional. Seu objetivo é fazer o povo pensar. Porque um país -ao contrário do que me ensinaram na escola- não se faz com as coisas físicas que se encontram no seu território, mas com os pensamentos do seu povo.
Explico: o que está no início, o jardim ou o jardineiro? É o segundo. Havendo um jardineiro, cedo ou tarde, um jardim aparecerá. Mas um jardim sem jardineiro, cedo ou tarde, desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos dos que o compõem.
Os grandes políticos não foram administradores de coisas. Foram criadores de povos. E o que é um povo? Santo Agostinho, 15 séculos atrás, disse que um povo é "um conjunto de seres racionais unidos por um mesmo objeto de amor". Ou seja, pessoas que partilham de um mesmo sonho. Émile Durkheim percebeu igual. Os povos, disse, não são feitos só "da massa de indivíduos que os compõem, dos territórios que ocupam, das coisas que usam, dos movimentos que executam. Eles são feitos, sobretudo, com as idéias que os indivíduos têm de si mesmos". Foi precisamente isso que Chico Buarque disse em "A Banda". Cada um estava concentrado no seu sonhinho: a namorada, o faroleiro, o homem rico, a moça feia, o homem velho... Cada um na sua, não havia povo; tal como nós, do Brasil, país que não tem povo porque não há sonhos belos a ser sonhados. Mas aí passou uma banda. E o que ela tocava era tão bonito que os sonhos de cada um logo ficaram pequenos e foram esquecidos. Esquecidos os sonhinhos individuais, formou-se a procissão dos que seguiam o sonhão que a banda tocava. Um povo nasceu. "A Banda" contém uma teoria política sobre o nascimento de um povo.
Faz uns meses, publiquei nesta seção uma carta inútil ao sr. Roberto Marinho. Usei de uma metáfora: o anúncio do Marlboro que aparece na TV. É lindo, com riachos cristalinos, raios de sol, bosques de pinheiros, cavalos selvagens. Eu, que não fumo, vendo o comercial, fico encantado. A beleza seduz, me faz sonhar.
Quero estar lá.
Após o curto feitiço, aparece a advertência do Ministério da Saúde: "Fumo produz câncer". É conhecimento científico. Frase verdadeira. E morta. Não conheço ninguém que tenha deixado de fumar por causa das verdades que o conhecimento científico enuncia. Conheço muitas que vieram a fumar por causa da sedução da beleza.
Nossas escolas têm se dedicado a ensinar o conhecimento científico, com todos os esforços para que isso aconteça de forma competente. Isso é muito bom. A ciência é indispensável para que os sonhos se realizem. Sem ela, não se pode plantar nem cuidar do jardim.
Mas há algo que a ciência não pode fazer. Ela não é capaz de fazer os homens desejarem plantar jardins. Ela não tem o poder para fazer sonhar. Não tem, portanto, o poder para criar um povo. Porque o desejo não é engravidado pela verdade. A verdade não tem o poder de gerar sonhos. É a beleza que engravida o desejo. São os sonhos de beleza que têm o poder de transformar indivíduos isolados num povo.
As escolas se dedicam a ensinar os saberes científicos, visto que sua ideologia científica lhes proíbe lidar com os sonhos (coisa romântica!). Assombra-me a incapacidade das escolas para criar sonhos. Enquanto isso, os meios de comunicação (principalmente a TV), que conhecem melhor os caminhos dos seres humanos, vão seduzindo as pessoas com seus sonhos pequenos, frequentemente grotescos. Assombra-me a capacidade desses meios para criar sonhos. Mas de sonhos pequenos e grotescos só pode surgir um povo de idéias pequenas e grotescas.
Se o Ministério da Educação for só um gerenciador dos meios escolares, será difícil ter esperança. Pensei, então, que o ministério talvez tivesse poder e imaginação para integrar os meios de comunicação num projeto nacional de educação: semear os sonhos de beleza que se encontram no nascedouro de um povo.
Assim, realizaria a sua vocação política de criar um povo. Por isso, Paulo Renato, considero sua posição de ministro da Educação a mais importante na vida política do Brasil. Da educação pode nascer um povo.
(Rubem Alves, 64, educador, escritor epsicanalista, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

ATIVIDADE III (0 a 6 Pontos)
1. O texto “Caro senhor ministro da Educação” é:
(a)uma reportagem. (b)uma entrevista. (c)uma carta. (d)um artigo.

2. “O poder é um demônio que não dá descanso, não havendo exorcismo que o resolva. Totalitário, ele se apossa do corpo e da alma; exige lealdade total e não deixa sobrar tempo para mais nada. Tal qual são Jorge, o presidente passa os dias e as noites lutando com um dragão que ressuscita a cada manhã, não lhe sobrando tempo para dedicar-se às coisas que são essenciais”. Nesse fragmento de texto a palavra contrária à democracia é:
(a)liberdade. (b)totalitário. (c)lealdade. (d)dedicação.

3. “Tal qual são Jorge, o presidente passa os dias e as noites lutando com um dragão que ressuscita a cada manhã, não lhe sobrando tempo para dedicar-se às coisas que são essenciais”. Nesse fragmento o termo “DRAGÃO” se refere:
(a) ao poder que o presidente ocupa. (c) aos problemas do presidente.
(b) ao país que o presidente governa. (d) ao povo governado pelo presidente.

4. Os termos “SÃO JORGE” e “DRAGÃO” se ligam ao:
(a) presidente que luta contra o povo que consome todo o seu tempo.
(b) povo que luta contra o poder que consome todo o seu tempo.
(c) presidente que luta contra o poder que consome todo o seu tempo.
(d) presidente e seus adversários.

5. Já ouviu esse termo: “gato por lebre”? Pois bem, considerando o que Rubem Alves escreveu e como ele descreveu as pessoas que olhavam “A Banda” passar, percebe-se que algumas pessoas são incapazes de sonhar grande. Cada pessoa estava presa em seu “sonhinho” individualista, retrato de uma sociedade alienada onde a propaganda tornou-se uma espécie de “feitiço”. Por conta disso, antes de comprar um produto as pessoas costumam:
(a) fazer suas escolhas com base no conhecimento científico sem se deixar levar pelas aparências.
(b) fazer suas escolhas com base apenas na beleza com que as coisas lhes são apresentadas.
(c) fazer suas escolhas com base nas advertências a respeito dos perigos.
(d) fazer suas escolhas com base nas suas verdadeiras necessidades recusando-se ao descartável e supérfluo.

6. De acordo com seus conhecimentos gerais, o atual ministro da Educação brasileira é:
(a) Paulo Renato. (b) Gilberto Gil. (c) Dilma Rousseff. (d) Fernando Haddad.

7. Juntamente com a musica “Disparada” de Geraldo Vandré, Chico Buarque venceu o 1º festival de MPB promovido TV Record, em 1966 com a música “A Banda”. Ao mencioná-la, Rubem Alves, autor do texto, está fazendo uma crítica ao povo brasileiro. Segundo o autor, de que forma as pessoas reagiam ao passar a “Banda”?






8. O autor Rubem Alves diz ter escrito uma carta, ele cita um produto muito divulgado em propaganda de TV. Leia as questões abaixo e responda:
a) pra quem o autor escreveu uma carta e a qual tipo de produto e marca ele faz referência? Em que tipo de cenário costuma ser apresentado?


c) que mensagem de advertência aparece ao final da propaganda? Que conclusão chega o autor sobre essa advertência?

9. “Nossas escolas têm se dedicado a ensinar o conhecimento científico, com todos os esforços para que isso aconteça de forma competente. Isso é muito bom. (…) Mas há algo que a ciência não pode fazer.” Segundo Rubem Alves só o conhecimento científico não é suficiente na formação do ser humano, por quê?

Referências

Caderno do professor, Ensino Médio 2008, 7ª 2ª série
________, Ensino Fundamental, 2008, 7ª série.
FERREIRA, João Paulo Mesquita Hidalgo - Nova História Integrada, 1ª edição, 2005, Campanha da escola, SP.
PEREIRA, Pedro Sérgio e MORAES, Robson Alexandre de. História ensino fundamental, 1ª edição, volume único. Coleção Frase Didática, SP.
________, História, ensino médio,1ª edição, volume único.Coleção Frase Didática, SP.

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